Erro comum em obras no município é contratar vibrocompactação sem projeto prévio, confiando apenas na experiência do operador. Em São Gonçalo, com extensas planícies aluvionares da bacia do rio Alcântara e aterros sobre manguezais do fundo da Baía de Guanabara, a energia de compactação precisa ser calculada malha a malha, sob risco de recalques diferenciais severos. Um projeto de vibrocompactação define espaçamento entre pontos, profundidade de tratamento, tempo de vibração e critérios de recusa com base em sondagens SPT e na granulometria real do depósito. Sem essas definições, o tratamento fica cego e o solo não atinge a compacidade relativa exigida em norma.
O projeto de vibrocompactação transforma um tratamento empírico em processo controlado: cada ponto tem energia, tempo e critério de parada definidos antes da primeira agulhada.
Considerações locais
A expansão urbana de São Gonçalo a partir dos anos 1970 ocupou vales e planícies com aterros sanitários e entulho de construção, criando um passivo geotécnico que só se revela na fase de fundação. Empreendimentos no distrito de Neves e ao longo da RJ-104 frequentemente encontram camadas heterogêneas de 4 a 10 metros com matéria orgânica e lixo decomposto, onde a vibrocompactação sem critério pode gerar afundamentos localizados ou ruptura do equipamento por obstrução. O risco maior não é o recalque uniforme, mas o diferencial entre áreas tratadas e não tratadas, que rompe contrapisos, canalizações enterradas e bases de pavimentos rígidos. Um projeto bem dimensionado antecipa essas descontinuidades com investigação geotécnica densa, definindo zonas de exclusão e transição, e estabelece tolerâncias de recalque compatíveis com o tipo de estrutura.